Pular para o conteúdo principal

Uma mulher contra Hitler

Há alguns meses, sentada num consultório médico (ginecologista), comecei a ler aquelas revistas de mulherzinha que falam de esmalte, roupas, homens; aquelas que toda mulher metida a intelectual como eu diz que não lê pra manter a fama de má (mas lê sim, e é por isso que não tem PIAUÍ e CARTA CAPITAL nos consultórios femininos); e encontrei uma matéria com o titulo "A menina que desafiou Hitler". Então descobri que a tal menina se chamava Sophie Scholl e era uma alemã, membro de um movimento católico que lutava ativamente contra o Terceira Reich. Fiquei super interessada na garota e na história, mas acho que problema de mulher deve ser tão parecido que o médico estava despachando igual fornada de pão quente as 16h. Então o pouco que consegui ler falava apenas que ela lutou ativamente contra Hitler e que foi morta. Quando saí do consultório já não me lembrava mais do nome da menina (devia ter ido ao neurologista) e acabei demorando um pouco pra encontrá-la. No mês passado consegui achar algumas matérias e vi que contar a história dela era mais que justo, pois Sophie não só desafiou o Reich distribuindo panfletos contra o nacional-socialismo, pela Universidade de Munique e vários pontos da cidade, como foi a única mulher do grupo de jovens alemães pertencentes ao "Rosa Branca". Mais que merecida a presença de Sophie neste blog e é legal contar que também existe um filme sobre a história dela e da Alemanha nazista que a prendeu, julgou e decapitou em menos de 4 horas. O filme tem o título "Uma mulher contra Hitler" e é do diretor Marc Rothemund. Foi indicado como melhor filme estrangeiro ao Oscar 2006, ganhou 3 prêmios European Film Awards e 2 Ursos de Prata no Festival de Berlim. Uma das curiosidades que soube sobre Sophie é que ela  se manteve calma e não chorou em nenhum momento na frente dos nazistas. Conta-se que o único momento em que se emocionou foi quando recebeu a visita da mãe, antes de seguir para a guilhotina. Assim que sua mãe saiu ela secou as lágrimas e seguiu de cabeça erguida, intrigando e perturbando seus carrascos com tamanha coragem. Vale a pena o filme que descreve brilhantemente a história de mais essa mulher improvável. Deem uma olhada no link do trailer.
http://www.youtube.com/watch?v=XM5A4ETW_Io&feature=related

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Ela batia em Sócrates

Há milhares de anos a fama da esposa do famoso filósofo Sócrates é tão famosa quanto. Xantipa era conhecia por seu temperamento forte, feroz e por atacá-lo fisicamente. Os amigos não entendiam o amor que Sócrates mantinha por aquela mulher mesmo sob tanta animosidade, e ele afirmava que era justamente aquilo que o fazia ter contato com a humanidade.  Nietzsche inventou uma tese que Xantipa foi fundamental para o desenvolvimento intelectual e sociológico de Sócrates porque o fez frequentar todos os lugares de conversação da época, menos sua casa. Talvez fosse por isso que Sócrates tenha dito a famosa frase: "De qualquer modo, case-se. Se você tiver uma boa mulher, será feliz. Se tiver uma mulher ruim, se tornará um filosofo." Confesso que quando li essa frase imaginei Sócrates um tanto quanto "reclamão", mas  quando soube que Xantipa pode ter sido a mãe de seus três filhos, ai entendi que sua impulsividade também devia servir para outros propósitos que mantiveram o

Eugênia Álvaro Moreyra - A primeira jornalista do Brasil

As mulheres jornalistas devem muito à Eugênia Moreyra. Num tempo em que "moças de boa família "não frequentavam redações de jornais", Eugênia foi não só reconhecida e admirada por sua inteligência como para ela foi criado o termo "reportisa", já que era incomum uma mulher jornalista. Eugênia é considerada a  primeira jornalista do pais. Ela trabalhou no jornal carioca   Última Hora , por volta de 1910,  quando veio de Minas, mais precisamente Juiz de Fora, onde nasceu. Ela e sua mãe, viúva rica filha de barões, vieram procurar emprego na cidade já que o patriarca da família havia morrido e pelas leis da época apenas os filhos homens podiam receber a herança. Após conseguir emprego no jornal também carioca "A Rua",  desapareceu da vida pública durante meses e trancou-se em um convento. Apesar de muitos acharem a ideia inconcebível, acabaram por descobrir que Eugênia só foi para o convento para investigar a história da irmã de uma mulher que havia sido

Porque furacões tem nome de mulher?

Sabe aquelas piadinhas que dizem que furacão tem nome de mulher porque mulher é inconstante e por onde passa arrasta tudo? Engraçado, mas pra quem não conheceu o Fabian, furacão que devastou as Bermudas em 2003. E a origem dos nomes dos furacões vem de muito antes dos meteorologistas. Antes, eram batizados com o nome do santo do dia que tocavam a terra. Alguns historiadores contam que o primeiro homem a dar nome de pessoas comuns aos furacões foi um australiano, que dava nome de políticos que ele detestava. Na verdade quem deu nome de mulheres foram meteorologistas militares americanos que homenageavam mães, amigas e namoradas. Jeito estranho de homenagear. Mas em 1979 foram oficialmente utilizados nomes  masculinos e hoje em dia quem escolhe os nomes é um comitê da Organização Meteorológica Mundial, que tem sede em Genebra. São feitas 6 listas de 21 nomes de A a W para a bacia do Atlântico e 6 listas de 23 nomes de A a Z para o Pacífico Norte Oriental, já que são divididos por regiões