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Marcha das Vadias

Entramos definitivamente na moda das marchas favoráveis ou contrárias à temas polêmicos, ou nem tanto, mas que definitivamente dão ibope. Amanhã, São Paulo sedia mais uma marcha, dessa vez de pessoas que protestam pelo direito das mulheres usarem a roupa que quiserem sem que isso as torne um alvo ambulante de maníacos estupradores. Mesmo considerando manifestações populares uma das mais legítimas e eficientes formas de sensibilizar a opinião púbica, acredito que ultimamente, a opinião pública já não se sensibilize tão facilmente. Mesmo assim é válida a discussão, que entre outros temas, aborda a liberdade feminina sem culpas pelos distúrbios sexuais de certos homens. O estupro é sim um medo de todas. Tem aquela hora que você foi pra noite com uma roupa mais sexy e entrou numa paquera com o cara, mas sente que o lance já ultrapassou a fronteira do "fazer charminho" e fica com medo de estar sozinha com o cara num lugar onde você não possa correr ou chamar por socorro. Isso porque não dá pra identificar um estuprador, pelo menos não numa balada e com meia hora de prosa. A marcha levanta a bandeira de que não é porque uma mulher está de saia curta que ela deseja que passem a mão na bunda dela. E o mais importante, que não são as mulheres que tem que aprender a não serem consideradas "estupráveis" e sim os homens que tem que aprender a não estuprar. Toda a discussão tem fundamentos significativos, em outros países e também aqui no Brasil. No Canadá, onde acreditam ter surgido o movimento, um policial que fazia palestra numa universidade disse que as meninas não deviam se vestir como vagabundas se queriam evitar o estupro. Aqui no Brasil, o pop star Rafinha Bastos disse que "homem que estupra mulher feia merece um abraço". O preconceito está arraigado, seja acadêmicamente ou em piadas populares pro grande público achar que "gozar" os problemas virou uma "solução". A marcha das vadias acontece amanhã em São Paulo e no dia 18 em Belo Horizonte. Se não for o caso de participar, acredito que seja pelo menos o caso de nos questionarmos quanto ao fato de que nenhuma violência é justificável.

E como sabiamente dizia Nelson Rodrigues, "Só o rosto é indecente. Do corpo pra baixo podia-se andar nu".

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