Pra quem leu o livro "Grande Sertão Veredas", uma das mais, senão a mais importante obra de Guimarães Rosa, deve ter visto a dedicatória que o autor fez à esposa, Aracy Guimarães Rosa: "A Aracy, minha mulher, Ara, pertence este livro". Um pequeno gesto que eterniza Aracy, e que deixa implícito a importância que ela teve não só para Guimarães Rosa mas para centenas de pessoas. Em Hamburgo, no final a década de 30, Aracy era funcionária do Consulado brasileiro e ajudou refugiados judeus a fugirem da Alemanha, conseguindo visto para centenas de pessoas. Por isso, ficou conhecida como o Anjo de Hamburgo e é a única mulher citada no Museu do Holocausto entre os 18 diplomatas que ajudaram a salvar judeus. No Brasil, na década de 60, ela escondeu em seu apartamento de Copacabana o cantor e compositor Geraldo Vandré, perseguido pela ditadura militar. Para o judaísmo, quem salva uma vida salva toda a humanidade. Para mim, Aracy salvou não só judeus e vitimas de regimes totalitaristas como salvou também Guimarães Rosa, que a conheceu quando se encontrava desiludido com a medicina; assim como salvou a si mesma, da pior dor de todas: a inércia existencial.
Antigo convento na cidade de Tuam, na Irlanda Durante séculos a religião categoriza as mulheres. Aquelas que não agem de acordo com as leis da igreja sempre foram consideradas "mulheres perdidas", servas do demônio. Isso, historicamente comprovado, custou a vida de milhares delas por todo o mundo. A igreja católica foi uma das, talvez a principal, igreja envolvida em diversas mortes. Na Europa, especificamente, podemos comprovar estes fatos agora que alguns atos da ordem das Irmãs Magdalenes foram desvendados. Elas mantinham conventos e uma lavanderias por toda Irlanda. De 1922 a 1996 estima-se que mais de 30 mil meninas, jovens adolescentes, foram enviadas às lavanderias e submetidas a trabalho escravo. Entre elas estavam órfãs, pobres, deficientes, meninas rejeitadas pelas famílias e condenadas em tribunais. Elas enfrentavam uma jornada de 12 horas de trabalho diário passando e lavando roupas de empresas, órgãos públicos e das Forças Armadas, o que era muito lucrativo ...

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